Eleutherococcus senticosus
Ginsengue-siberiano | |||||||||||||||||||
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O Eleutherococcus senticosus, vulgarmente conhecido como ginsengue-siberiano ou eleutero, é um arbusto decíduo e lenhoso pertencente à família Araliaceae, nativo de uma vasta região do nordeste da Ásia, que inclui o extremo oriente da Rússia, o nordeste da China, o Japão e a península coreana. Embora partilhe o nome comum de «ginsengue», esta espécie não pertence ao género Panax, distinguindo-se botânica e quimicamente das variedades de ginsengue coreana ou americana. A planta caracteriza-se pelo seu crescimento lento, atingindo geralmente alturas entre 2 e 3 metros, com caules cinzentos cobertos por espinhos finos e curvados para baixo, e folhas palmadas compostas por cinco folíolos. No seu habitat natural, prospera no sub-bosque de florestas mistas e de coníferas em regiões montanhosas, demonstrando uma resistência extrema ao frio, sendo capaz de tolerar temperaturas de até -30° C.[1][2][3][4][5][6]
Historicamente, o Eleutherococcus senticosus ocupa um lugar de destaque na medicina tradicional chinesa (onde é conhecido como ci wu jia) e russa, sendo utilizado há mais de dois mil anos como um tónico para fortalecer o qi (energia vital), nutrir o baço e os rins, e aumentar a longevidade. Contudo, a sua popularidade global intensificou-se a partir da década de 1950, quando investigadores soviéticos, à procura de uma alternativa mais acessível e menos estimulante ao ginsengue verdadeiro, identificaram as suas propriedades únicas. Desde então, tornou-se um dos adaptogénios mais estudados, termo utilizado para descrever substâncias que aumentam a resistência inespecífica do organismo contra diversos tipos de stress físico, químico ou biológico, ajudando a restaurar a homeostase sem causar efeitos secundários graves.
A composição química do eleutero é complexa e rica em compostos bioativos denominados eleuterosídeos (A a M), dos quais o eleuterosídeo B (siringina) e o eleuterosídeo E (um lignano) são considerados os mais relevantes para os seus efeitos terapêuticos. Para além destes, a raiz e o rizoma contêm polissacarídeos, flavonoides, ácidos fenólicos e saponinas triterpénicas, que em conjunto contribuem para uma vasta gama de atividades farmacológicas, incluindo propriedades imunomoduladoras, anti-inflamatórias, antioxidantes e neuroprotetoras. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) reconhecem o uso da raiz de eleutero como um tónico para o alívio de sintomas de astenia, tais como fadiga, fraqueza e exaustão, especialmente durante períodos de convalescença.
No contexto do desempenho físico e mental, o Eleutherococcus senticosus é frequentemente utilizado por atletas de resistência e militares para melhorar a capacidade de trabalho e reduzir a fadiga induzida pelo esforço prolongado. Estudos clínicos sugerem que a suplementação pode reduzir os níveis de cortisol sérico após treinos intensos e melhorar a função cognitiva em situações de privação de sono. Apesar do seu perfil de segurança favorável, o uso deve ser cauteloso em indivíduos com hipertensão arterial, distúrbios do sono ou doenças cardiovasculares graves, e é contraindicado durante a gravidez e lactação devido à falta de dados de segurança robustos. Atualmente, devido à elevada procura e à perda de habitat, a planta é considerada uma espécie vulnerável ou em perigo em certas áreas, o que tem impulsionado a investigação em biotecnologia vegetal para a sua produção sustentável e conservação.
Referências
- ↑ Organization, World Health; Plants, WHO Consultation on Selected Medicinal; WHO Consultation on Selected Medicinal Plants (2nd : 1999 : Ravello-Salerno, Italy); WHO Consultation on Selected Medicinal Plants (3rd : 2001 : Ottawa, Ont ); WHO Consultation on Selected Medicinal Plants (4th : 2005 : Salerno-Paestum, Italy) (31 de dezembro de 2006). WHO monographs on selected medicinal plants (em English). [S.l.]: World Health Organization. ISBN 978-92-4-154517-4. Consultado em 1 de abril de 2026
- ↑ «Eleutherococci radix - herbal medicinal product | European Medicines Agency (EMA)». www.ema.europa.eu (em inglês). 31 de dezembro de 2009. Consultado em 1 de abril de 2026
- ↑ Davydov, Marina; Krikorian, A.D. (outubro de 2000). «Eleutherococcus senticosus (Rupr. & Maxim.) Maxim. (Araliaceae) as an adaptogen: a closer look». Journal of Ethnopharmacology (em inglês). 72 (3): 345–393. doi:10.1016/S0378-8741(00)00181-1
- ↑ Patyra, Andrzej; Kołtun-Jasion, Małgorzata; Kupniewska, Katarzyna; Parzonko, Andrzej; Kiss, Anna Karolina (29 de outubro de 2025). «Eleutherococcus root: a comprehensive review of its phytochemistry and pharmacological potential in the context of its adaptogenic effect». Frontiers in Pharmacology. 16. ISSN 1663-9812. PMC 12605232
. PMID 41235111 Verifique |pmid=(ajuda). doi:10.3389/fphar.2025.1683795 - ↑ Hu, Jianping; Wu, Dan; Sun, Yanping; Zhao, Hongquan; Wang, Yangyang; Zhang, Wensen; Su, Fazhi; Yang, Bingyou; Wang, Qiuhong; Kuang, Haixue (17 de maio de 2022). «Comprehensive Analysis of Eleutherococcus senticosus (Rupr. & Maxim.) Maxim. Leaves Based on UPLC-MS/MS: Separation and Rapid Qualitative and Quantitative Analysis». Frontiers in Pharmacology. 13. ISSN 1663-9812. PMC 9152295
. PMID 35656288. doi:10.3389/fphar.2022.865586 - ↑ Kos, Grzegorz; Czarnek, Katarzyna; Sadok, Ilona; Krzyszczak-Turczyn, Agnieszka; Kubica, Paweł; Fila, Karolina; Emre, Gizem; Tatarczak-Michalewska, Małgorzata; Latalska, Małgorzata; Blicharska, Eliza; Załuski, Daniel; Şekeroğlu, Nazım; Szopa, Agnieszka (8 de junho de 2025). «Eleutherococcus senticosus (Acanthopanax senticosus): An Important Adaptogenic Plant». Molecules (em inglês). 30 (12). 2512 páginas. ISSN 1420-3049. PMC 12195798
. PMID 40572479 Verifique |pmid=(ajuda). doi:10.3390/molecules30122512